
A IDA
Montamos nossas respectivas mochilinhas e lá fomos nós, lindas para a rodoviária do Tietê, que, sábado de manhã era a sucursal do inferno. Cogitamos tds as possibilidades do mundo, exceto Rio de Janeiro, por óbvio, e depois de irmos até a Barra Funda com nossas fofinhas mochilas a conselhos de uma gata de um guichê de passagens, resolvemos voltar ao Tietê e encarar a realidade: não haveria passagens caindo na nossa cabeça. Teríamos de encarar as filas. E assim fizemos. Meia hora de fila depois, ao meio dia e meia, asseguramos nosso lugar no ônibus com destino a Ilhabela, já era questão de honra conhecer esse bendito Bonete. Hora de partida do ônibus: 21h30.
Conhecemos a rodoviária inteira, cada fucking lojinha, e td lugar que eu encostava eu dormia. Tinha dormido três horas na noite anterior. Fomos até um lugar de propaganda enganosa que dizia oferecer “internet, telefone e conveniência”, mas se precisasse de um lugar inconveniente aquele não servia, pq era demais. A internet lenta, mulheres gritando reclamando do serviço e uma paty conversando na cabine do lado, no skype.
Resolvemos comprar repelentes, que é o mínimo pra quem vai para Ilhabela. Depois andarmos a valer no shopping D, descobrimos que a única drogaria, nos venderia nosso apetrecho Gold e o fator 50 do Nin por um milhão de dólares. Fora o repelente que tinha cheiro de sauna. Segundo a mulher da farmácia “aquele era melhor pra repelir, pq tinha até cheiro forte”. Os Bozos compraram. E a partir daí, every fucking banquinho que nós parávamos para ele fumar, eu dormia cinco minutos.
Voltamos para a rodô, e vimos um oásis. O Mister Sheik, que salvaria nossas vidas e mataria nossas fomes, recheando nossos estômagos de esfihas quentinhas e baratinhas.No entanto, qual não foi nossa surpresa quando a mulher falou que estavam sem ESFIHAS. Não, não sem kibes, ou suco de uva. Sem esfiha. Aliás, suco de uva era a única coisa eu eles tinham, pq qdo eu resolvi comer, eles já não tinham mais pastel, nem kibe, nem beirute.
(Não dá pra ver direito na foto, mas está escrito em letras garrafais no letreiro " mister Sheik - a melhor esfiha")
E finalmente chegou a hora de nos encaminhar para o portão de embarque. Pegamos as mochilinhas fofinhas e nos dirigimos para o nosso portão, obviamente o 28, que o Nin viu na passagem. Deitamos no portão, encostados em nossas mochilas e lá esperamos. O Nin resolveu fazer amizade com uma mulher que jogou cinza no pé dele, pra ver se ela sabia como chegar ao Bonete, e ela nos alertou que aquele era o portão de embarque para Limeira. Descobrimos que deveríamos estar no portão 36.
Quando finalmente entramos no ônibus fofinho e eu acordada já sonhava com o banco abaixado e eu dormindo horrores, descobri que atrás e mim havia uma família, cujas crianças se encontravam no colo de seus pais, o que significava que eu não poderia abaixar o banco até lá. Eram só quatro horas de viagem. E assim foi. Com o detalhe que estávamos pelados devido ao Sol de Salvador de São Paulo e o motorista resolveu ligar o ar no –10. Fomos agarrados, tentando dormir e tremendo até lá.O Nin não teve tanta sorte, já que a
criança atrás dele estava batendo com a mão em sua cabeça pq estava apertada, e assim permaneceu até São Sebastião.
A CHEGADA
A gente até que conseguiu dormir um pouco...Eu escutava quando o motorista falava o nome das praias que atingia e escutei qdo ele falou “Caraguá”, mas nem liguei pq achei que o Nin estava cuidando. E ele não estava. Ouvi qdo o cara falou “São Sebastião”, que era igual a ponto final. Descemos e descobrimos que para chegar a Ilhabela teríamos que pegar uma balsa, de cuja necessidade tínhamos esquecido, o que nos rendeu alguns minutos de caminhada com nossas fofas mochilinhas nas costas.
Nos demos conta nesse percurso do quão fofa era a cidade. O ônibus local chamava-se “Fofinho Litorânea” e a banquinha de lanches na frente da balada “Lanches Fofão”. Na manhã seguinte descobrimos que havia um jornal de classificados: o “Classifofo”, e vendedores de algodão doce whatever we were.
Chegamos na entrada da balsa e falamos para o carinha de lá que queríamos ir para a praia do Bonete. O cara fez um cara de “nossa, vcs tão na lama” e falou que o melhor jeito de ir era pegando uma canoa de lá mesmo. Que só voltava a operar às 8 h da manhã. Era 2h15.
Começamos a procurar um teto para deitar nossos esqueletos cansados, mas estava td lotado, menos um hotel cuja diária mais barata era 200 reais. Decidimos que íamos fazer os mendigos e dormir na praça pensando nela. O problema é que a cidade é pequena, mas há ladrões e pessoas do mal. As pessoas estavam bêbadas e do tempo que eu fui até a esquina procurar um das milhares de pousadas das quais nos falaram, um cara me puxou e me botou na parede, pq ele manicou que eu o estava seguindo desde o dia anterior. Não que eu estivesse lá, mas td bem.
Na praça do coreto estávamos nós mortos de sono, olhando as pessoas passarem pra lá e pra cá fantasiadas e bêbadas e nós, com medo de sermos assaltados. Já era domingo de carnaval e o Nin teve a brilhante idéia de tentarmos armar a barraca para treinar, qdo nosso anjo da guarda (vulgarmente conhecido como guardinha da cidade) apareceu e disse que a gente podia fazer dela um lar, que ele ia ficar lá até de manhã, e podia dar uma olhada. Além disso, ele ainda ajudou a gente a montar e falou que a praia do Bonete ia estar cheia, além de ser a duas horas de barco dali. Sim, seriam duas horas de barco para mim, que de andar meia hora de carro fico verde musgo. Desisti.
Decidimos seguir seus conselhos e visitar uma praia que segundo ele era mais sossegada, a praia do Santiago, que era em São Sebastião mesmo. Para tanto, deveríamos pegar o ônibus na rodoviária no dia seguinte. E assim ficou decidido. Dormimos lindos no chão de paralelepípedos, ou seja, tortos até morrer, e ao raiar do dia, levantamos grudentos e sujos para a rodoviária. Lá escovamos os dentes, lavamos o rosto e esperamos o fofinho que nos levaria até o mundo encantado de Santiago.
O fofinho não era tão encantado. Lotado de vendedores de óculos e com alguns vendedores de tapetes, tivemos de conviver com placas de isopor e tapetes espalhados pelo chão do ônibus durante os 40 minutos de viagem. Isso sem contar a mulher que fez questão de falar que aquilo era bem feito para nós que tínhamos saído de São Paulo para passar o carnaval lá. E a gente já tava concordando, até avistarmos a praia.
Descemos no ponto e achamos um amigo rude que nos levou até o camping, ele trabalhava lá. Avistamos a fila de carros na praia deserta, ao longe. O camping tava meio caótico, tinha barraca até no telhado da casa da dona, e nossa barraca estava sem lar. Achei um cantinho lá atrás, e lá fomos nós de novo brigar com ela. Nossos vizinhos ficaram com dó e nos ajudaram a montá-la, inclusive emprestaram seus martelinhos (pedras médias) para nós a prendermos no chão, nós fizemos as saunas com nossos repelentes e nossos apetrechos gold e nos jogamos.Finalmente.
NOSSO CARNAVAL FOFINHO
E a gente se jogou aí ó. Depois de td nossa camelação só nos restou andar, passear, nadar contra o mar rude ( pq olha que ele era rude, viu) e deitar em cima das pedras para tomar sol (como na foto acima, na qual fizemos os hóspedes da Ilha de Caras) e tirar fotinhos até a hora do almoço. No único bar da região, sim, o único, o que faz com que a praia não tenha um só sinal de farofa, cheiro de camarão e outra coisas uó de Guarujá, Praia Grande etc, fomos averiguar qtos milhões teríamos de desembolsar para nos alimentar em função do monopólio do bar do Cacau. Dez mangos de real um PF com filé de merluza, batata frita, salada, arroz e feijão que dava pra dividir em duas pessoas. Pra completar o garçom era td na vida, tinha um sorriso lindo e um ar de gente natural que só ele tinha.Constatamos que havíamos caído no paraíso. Bebemos cerveja até morrer e dormimos o sono dos justos, eu na areia da praia e ele na barraca, como nós merecemos depois de tds esses perrengues. Cerveja, passeio, cerveja passeio, foi assim que aproveitamos até o final do dia, até o cair do sol.
Dormi até morrer e perdi o churrasco das nossas vizinhas deusas da barraca. Aliás, devo apresentar nossos vizinhos de camping: do lado direito, as almas boas que nos ajudaram com nossa barraca e que odeiam criança, as quais ameaçavam com mordidas (e isso não é exagero). Do lado esquerdo, pessoas que não existiam, que só apareceram no dia de desmontar a barraca e ir embora. Atrás de nós a sensação da viagem: a Filhote, uma mulher muito chata, mas muito chata mesmo que falava alto de madrugada e chamava td mundo de “filhote”, sua filha paty e o marido argentino que falava igual a Antonella do Big Brother. Depois de muitos “Eu não tenho certessssa”, minha vontade era voar no pescoço dele, pq além de td ele falava alto e falava muita merda. Nesta mesma barraca havia um cara que já tinha feito tds os treckings do mundo. Ele relatou td isso eqto eu dormia, mas o Nin me contou no dia seguinte. Sim, pq ele não dormiu quase nada, já que ele é fino e não consegue dormir no chão, que por sinal é a única coisa da cidade que não é fofinho, e olha que se tem alguma coisa lá que não é fofinho, é o chão. E ele começou a sofrer, e eu comecei a tremer de frio, pq tinha pego o resfriado dele e já tava começando a ficar com febrinha. Tive que acordar 3h40 da manhã pra tomar banho pra ver se eu melhorava. E eu melhorei. Mas ele não. E manicou que queria ir embora, que não conseguia dormir no chão, que queria o colchão de mola dele, lalalalala.
E aí, acordamos lindos no dia seguinte, com o Sol de Salvador e chegamos a uma conclusão: era melhor mesmo ir embora, não tínhamos mais dinheiro pra comer e pagar mais uma diária do camping. Assim, levantamos, colocamos nossas respectivas roupinhas de banho e aproveitamos lindos mais uma dia. Nós e os borrachudos fofinhos.
A VOLTA
Então desarmamos nosso lar e fizemos a última social com as deusas da barraca, que mais uma vez nos ajudaram, ensinando o que e como fazer para ela caber dentro do saquinho minúsculo em que ela veio. Depois de duas horas de briga com a bendita barraca, subimos até “a Rodovia” , sim pq esse era o seu nome, e lá esperamos o fofinho por algum tempo.
Eu, que não passo mal por nada na vida, tava verde já, descendo aquela bendita serra cheia de voltinhas e passando mal até morrer. Chegamos no rodô, onde esperamos e advinhem vcs, comprei um algodão doce!!! E ganhei uma bexiga!!! (posto a foto amanhã) Fiquei maior feliz do mundo.
E lá fomos nós em nosso fofinho de volta, com crianças atrás, mais uma vez.... Mas dessa vez, eu dormir linda, de calça jeans e blusinha de lá, macetando as crianças atrás.
THE END.
Você precisa ser um membro de Viajamos.com.br - Viagens e Turismo no Brasil para adicionar comentários!
Entrar Viajamos.com.br - Viagens e Turismo no Brasil